Quem é você?

🇺🇸🇧🇷
Afrodite/Vênus agachada ou se banhando
Autor desconhecido
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

Você já se olhou no espelho hoje? Imagino que sim. Acordou, lavou o rosto e se viu no armário sobre a pia do banheiro. Talvez tenha conferido rugas ou percebido alguns fios brancos a mais. Avaliou a combinação de cores depois de se vestir, se a camisa para dentro é melhor do que para fora ou se a calça não está muito apertada? É possível que tenha escovado os cabelos e experimentado um penteado diferente, ou ainda, que tenha prendido as madeixas, porque não teve tempo de lavar, secar etc. e tal.

Quando se olhou, você se viu, conseguiu se enxergar? Observou-se? Observar é ultrapassar a camada virtual que criamos; é dissolver a fantasiosa identificação que tem por objetivo atender às expectativas criadas por seu ego ou pelo ego do outro, para o único propósito de… Encaixar-se, caber em um espaço social.

A maneira como você se identifica ao se observar é sua identidade. Nem você nem eu somos um número, seja na estatística, seja na secretaria de segurança pública ou no Detran. Cada um de nós é, na verdade, o que está dentro; somos o que está para além da imagem, para além dos registros.

“Tudo é dito por um observador”, escreveu o cientista chileno Humberto Maturana.

O ser humano é um sistema complexo vivo, o que significa que não é um mecanismo, um sistema com estrutura definitiva. Mais além, somos dinâmicos e, portanto, em nossas interações, estamos em constante mudança — comportamento e estrutura são mutáveis. Consequentemente, é impossível determinar uma conduta adequada, definitiva, para sistemas vivos, em todos os possíveis contextos, porque não podemos prever suas variações.

Dessa maneira, a interação entre seres vivos é um constante aprendizado, uma vez que, deve-se enxergar cada indivíduo em seu meio, em seu tempo e respeitando suas alterações estruturais. Eis o grande desafio daqueles que, apegados a normas, a crenças socialmente construídas, não se conectam com o que é a vida, esse acontecimento dinâmico.

Conectar-se com a vida não é discursar a favor de diversidade, mas sim agir de maneira totalmente desapegada, entendendo que há diversidade dentro da própria diversidade, e a identidade individual de seres não é exatamente aquela que você diz, mas sim aquela que é possível tocar e compreender, uma vez que você ultrapasse a superfície, mergulhando fundo no eu.

Mas se uma pessoa teme conhecer sua própria verdade, por certo não se entregará ao conhecimento da verdade do outro — o mergulho é um ato de coragem — e não será capaz de experimentar o Amor, negará histórias, e construções de existências que lhe cercam, determinando identidades a partir de pré-conceitos, estabelecendo seu próprio conforto e prazer dentro de estagnação e apatia.

Somos históricos: o continuum de nossos ancestrais. Mas somos a história agora — vidas individuais, reeditadas, revistas e ampliadas. Um observador somente poderá falar de um indivíduo se realmente observar, porque é necessário conectar-se e compreender a unicidade da existência, com todas suas peculiaridades.

Apesar de tudo isso ser importante, sobretudo, porque vivemos em comunidade, o essencial é ser seu próprio observador.

Observe-se atentamente e seja capaz de responder: quem é você? Então talvez você possa se conectar, verdadeiramente, com outros seres.

A vida não é competição nem julgamento.
Vida é experiência.

Bhuvi

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Um instante de luz

🇺🇸🇧🇷
Shrī-Yantra
Símbolo da Vida (universal e individual) como incessante interação de opostos cooperativos

O Absoluto contém em si eternidade, energia passiva, e o dinamismo do Tempo, energia ativa. Paraíso e Terra. Antagonistas, porém cooperativas, essas energias são esferas do ser, ambas integrantes da existência. Desdobrado em dualidade, Ele originou o Universo e as criaturas. O mundo, portanto, personifica as polaridades da vida na distinção de elementos, reminiscências individuais d’O Absoluto despedaçado.

Enquanto humanos masculinos personificam energia passiva, as raízes, humanos femininos são energia ativa, o útero. Mas em essência, são um. Ainda que sejamos desenvolvimento temporal e espacial, transcendemos tempo e espaço como manifestações de aspectos antagônicos da existência, O Absoluto.

Repousa no âmago de nosso ser, no receptáculo que é nosso corpo, a Suprema Essência, a partir da qual continuamente expandimos. Apesar de inefável e inconcebível no materialismo humano, energia Divina — unicidade — está em todos nós; Ela é experimentada como Vida dentro do ser e Vida do cosmos. Vida é Amor.

É através do anseio da Vida por si mesma que a Vida surge — o Nirvana são dois espelhos que se encaram. É somente ao alcançar a consciência — quando estamos acordados — que vivenciamos a Unicidade, o Todo em todos nós, compreendendo o processo duplo da criação (e dissolução), e entendendo a verdade: O Absoluto não deve ser partido, dissolvido, desintegrado.

Portanto, através de nosso corpo O Divino se expressa. E uma vez que acordamos do sono da divisão somos capazes de experimentar — compartilhar e receber — o Todo em sua totalidade. Somos tanto vida universal quanto vida individual, uma contínua interação de opostos cooperativos em processo de criação. Luz lampeja através de nós.

Aum Shanti
Que todos os seres existam em Paz, Amor e Vida
Bhuvi ♥︎

Através do anseio da Vida
por si mesma
Vida surge.
Criação é Amor,
um lampejo de Luz
que nos atravessa.

Bhuvi

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Vida: Quem se importa?

🇺🇸  🇧🇷
Botafogo, Rio de Janeiro
por Bhuvi

Vida é a energia divina que ocupa nosso corpo; é puro Amor e Natureza. Vida é a existência pacífica dos seres sencientes.

É isso? Ou deveria ser assim?

O que é vida, afinal? É o que recebemos ou é o que fazemos com o que recebemos? Quem é dono da vida?

Decidi sair para uma caminhada em meditação e sentir a vida. Depois de algum tempo me abri para o mundo ao meu redor, e isto é o que eu recebi:

“Pessoas não são descartáveis”, dizia o grafite no muro atrás do homem que dormia em cobertores imundos, em uma rua chamada Voluntários da Pátria, onde fileiras de prédios, em ambos os lados, esticavam-se até o céu: pedaços particulares do paraíso, hostis àquele cidadão e aos outros encolhidos na calçada, em frente a cada um dos bancos e a cada uma das igrejas.

“Who cares?” Ou, quem se importa? — era a estampa da camisa de um pedestre.

Mentalmente repeti a pergunta e alguns quarteirões depois recebi a resposta.

Um homem pedia dinheiro; mostrava três moedas na mão e falava que o café da manhã é a refeição mais importante, porque dá impulso para começar o dia. Ele sorriu com a boca vazia e os dois cachorros dele abanaram o rabo, enquanto eu lhe entregava algum dinheiro.

— Querem brincar!

— São bonitos os cachorros. Qual é o nome deles?

— Vida e Beethoven. A Vida fugiu de mim uma vez. Mas eu encontrei ela de volta, com ajuda dos vizinhos por aqui. Ela é durona. Mas se você não ficar bem atento a ela, ela pode simplesmente escapar de você. Ela é doida. Eu amo a Vida! Mas você não pode contar que é garantido que ela está ali. Toda manhã, assim que eu abro os olhos eu vejo se a Vida está comigo. Sabe? A gente precisa mesmo é saber o que realmente importa. Você precisa olhar na direção dela. Olhar dentro dos olhos dela. Olha! Sério! O que você vê? Cuida disso. O que você vê nos olhos da Vida é tesouro. E… Sabe? Quando eu pensei que tinha perdido ela, algumas pessoas me ajudaram, mas eu é que tenho que cuidar. Entende? Sou responsável pelo que acontece com a Vida; ela é minha responsabilidade desde o dia que eu recebi ela. Fé. Tenho fé… Na Vida. Mas aí tem gente que trata mal a Vida. Minha Vida, sabe? Eu posso até estar nessas condições aí, mas minha Vida não pertence a eles. Não. Eles podem ter dinheiro; eu tenho Amor. Eu tenho a Vida.

— Te entendo! — eu tinha lágrimas nos olhos.

— Agora olha como os dois são felizes juntos! Eu não acho que a Vida seria feliz sem Beethoven! Ele é quieto, relaxado, assim… Eu amo ele também. Bem… A Vida é especial. A Vida é um presente que me deram. E quando você recebe um presente, você toma conta dele. Se ele acabar sendo difícil, você simplesmente tem que fazer o seu melhor para conseguir. Porque… Sério! Quando você age, só o fato de você agir já é um sucesso. Ah! E obrigado pelo sorriso. Não tem muita gente que faz isso por aqui.

Enquanto Elson e eu apertamos as mãos, Vida e Beethoven pularam em mim e a pergunta, em minha mente: Quem se importa?

Elson e os vizinhos se importam; Vida e Beethoven, também.

Pessoas não são descartáveis; cada um de nós conta. Seja presidindo um país ou dormindo debaixo de marquises, não importa a cor, etnia, sexualidade ou sexo, o valor de uma pessoa está no próprio fato de essa pessoa existir. Todas as vidas importam. Todas as vidas são vivíveis, e todas as vidas são passíveis de luto.

Todos nós deveríamos nos importar.


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O que desaprendi em quinze dias de silêncio

🇺🇸    🇧🇷 

Depois de uma década frequentando retiros espirituais e de meditação, eles já não são exatamente uma novidade para mim — a não ser que tenhamos em mente o fato de que nenhum retiro é igual. No entanto, eu me senti uma novata no último retiro de silêncio com meu Mestre. Foi a primeira vez que passei quinze dias imersa, de corpo e alma, na experiência de permanecer em silêncio. Em outras palavras: foi minha primeira vez totalmente dedicada a me ouvir, interpretar e me compreender. Foi a primeira vez que explorei uma caverna: meu coração. Meu desaprendizado de certas coisas foi a chave que faltava para abrir o cadeado que protegia o acesso ao meu inconsciente, para derrubar paredes e encontrar o fundo falso que escondia importantes verdades.

Talvez você, assim como eu mesma já fiz, pense: “Já fiz isso! Já passei alguns dias em silêncio.” Ou mesmo: “Passo o dia basicamente sozinha e, portanto, permaneço em silêncio.” Tudo bem. Mas você já ficou realmente em silêncio?

O primeiro dia em um retiro onde você já esteve e com pessoas que você já encontrou antes é, principalmente, para colocar a conversa em dia. Entre abraços, risadas e compartilhar, nós todos reconhecemos uns nos outros o amigo ou amiga que não víamos há quase seis meses. Alguns chegaram com notícias surpreendentes, outros ficaram mais… “Ah! Tudo na mesma.” Enquanto essas horas passavam, fomos preparados para mergulhar no silêncio.

Quando as montanhas ainda bloqueavam os raios do sol, já estávamos de pé e bem despertos no templo, meditando. Dinamicamente. Seguindo orientações deixadas por Osho e o conselho de nosso Mestre vivo, o grupo de mais de cem Sannyasins — esta que vos escreve incluída — começou a respirar caoticamente. Sem ritmo, sem expectativas, sem regras, apenas sentindo o ar entrando e saindo do nariz, queimando as narinas e limpando o caminho de e para os pulmões, sentindo o calor e o frio de um tanto de energia boa. Quando a música mudou não pudemos nos segurar, começamos a gritar. Com toda força, berramos, gritamos palavras, nos movimentamos do jeito que o corpo nos fazia mexer durante dez minutos catárticos, deixando tudo sair. Então a música mudou novamente para nos fazer pular sobre os pés planos, braços para cima, deixando sair o mantra “Hoo”, até que uma voz nos avisou: “Pare!” E como crianças brincando, congelamos. Na posição em que estávamos, apenas paramos e permanecemos daquele jeito, assistindo, observando, sentindo as ondas que atravessavam o corpo físico e o sutil. Desapegando da mente, que gosta de nos dizer que estamos cansados e não conseguiremos permanecer em uma posição por muito tempo. Mas a gente consegue! A gente consegue fazer isso. Porque estamos no comando e nada é mais importante do que sentir e seguir o coração, apenas testemunhando o poder e a energia do momento. Até que outra música começou e simplesmente deixamos o corpo solto fluir no ritmo, como um pássaro cortando o céu, asas abertas, sem bater, sem preocupação, apenas sendo.

Seguida de silenciosa meditação do trabalho — para alguns significava rastelar o jardim, para outros cortar legumes e havia aqueles que limpavam o restaurante e/ou a cozinha, apenas para citar algumas atividades —, Meditação Kundalini, Meditação da Respiração nos Chakras e grupos para exploração da pergunta de ouro feita por Bhagavan Sri Râmana Mahârshi, “Quem sou eu?”, a Meditação Dinâmica de Osho compôs o cronograma bem organizado que nos permitiu mergulhar fundo e voar alto, silenciosamente, em busca da verdade. Mas nada disso funcionaria tão bem sem o evento mais importante da programação: Satsangs. Sentar em silêncio, coração aberto, ouvindo nosso Guru é essencial para o crescimento espiritual, ou despertar.

Penso que é incrível a maneira como podemos aprender com as diversas leituras disponíveis a qualquer momento, em qualquer lugar. Não há limite para a aquisição de conhecimento. No entanto, estar próximo de um Mestre vivo torna a jornada um prazeroso passeio pelo campo, sem qualquer dúvida. Você apenas segue os passos, observando o que está ao redor. De repente se dá conta de que, quando nada há para dizer, não há necessidade de falar. E na maioria das vezes, nada há para dizer. Vida e Amor permeiam completamente um relacionamento como esse, que nos chacoalha, acorda e move. Alimenta algo que gosto de pensar serem asas; mas isso também nos proporciona raízes — voamos alto e mergulhamos fundo.

Em quinze dias desaprendi tudo o que a sociedade me forçou a aceitar. Foi como deixar o dedo na tecla deletar, por dias, e depois olhar no espelho para descobrir que sou uma página em branco, a ser escrita agora. Há apenas um momento em que posso escrever nessa página: Agora. Há apenas um momento em que posso ler essa página: Agora. Eu sou agora.

Desaprendi qual é o rosto do meu ego. Eu virei do avesso. Quebrei e abri a casca; toquei a parte mais interna do meu ser. Parece que não há volta, a menos que eu volte a dormir. Porque dessa vez, eu realmente permaneci em silêncio. Não foi apenas calar a boca, mas sim, o foco estava em silenciar minha mente ou as vozes que não pertencem ao meu coração; foi fazer calar o ego.

Desaprendi toda a competição que fazem a vida se tornar e que nos acorrenta a mentiras que acabamos por viver pelo bem de uma imagem que nos esforçamos para fazer caber na tela de um mundo ficcionalizado que nós todos, juntos, criamos.

Desaprendi a forma do singular e me dei conta de que pensar em termos de “o outro” é segregar. Já passou da hora de abrir mão dessa linguagem divisora e compreender que tudo se trata de “nós”, não de “eu + ela/ele”. Mas primeiro, é necessário que se trate da personalidade, do self, não do ego — muito menos da selfie. Primeiro e acima de tudo, povoar-se de si mesmo. Desapegar-se do ego. Fazer contato com quem você é e Amar quem você é. Somente então será possível “amar ao próximo como a si mesmo”.

Desaprendi uma das mais cruéis lições que me ensinaram: como matar meu primeiro amor, o Amor que eu deveria ter alimentado desde o primeiro dia em sociedade, que é o Amor por minha natureza. Porque não há música mais bonita do que o silêncio da natureza, da minha inocência, do meu “bem-infantil”. E é nesse espaço que criei — sagrado e seguro — que posso alimentar o Amor pela humanidade e compaixão e construir compreensão. Esse é o real sentido de comunalismo. Isso é o verdadeiro Amor. E ele começa de dentro, então transborda, toca e conecta vidas. Somos todos e todas seres compartilhando existência.

Apesar de estar em silêncio, desaprendi a ficar calada e com medo. Minha voz é a que vem do espaço silencioso do meu coração; é minha verdade, meu ser. Ela não sai apenas em palavras. Caso contrário, seria apenas bobagem. Minha voz é minha ação, totalmente em harmonia com meus pensamentos. E desaprendi a fé, junto com o significado de Deus, como eles nos ensinam. Porque somos todos, e cada um, “o oceano inteiro dentro de uma gota”. O que quer que eu faça comigo mesma, faço com o Universo, e vice-versa. Sou quem quer que eu for no momento; mas também sou as vidas que me rodeiam, homem e mulher, sublime e grotesco, bem e mal. Desaprendi o meu lugar dentro de uma caixa.

Há um Deus em mim, em você, em todos nós, que é nossa natureza divina. Somos todos responsáveis pelas vidas que todos, juntos, temos vivido. E quanto mais disseminarmos o assassínio do primeiro amor, mais tornaremos a humanidade miserável. É incumbência de cada um de nós mudar; ou ainda, parar esse jogo de sofrimento e aceitar a liberdade. Nascemos livres. Quanto mais damos ouvidos aos sons de fora, mais deixamos de notar o que acontece dentro. É quando estamos realmente em silêncio que nos conectamos, com compaixão, Amor, respeito e cuidado.

Paz, Amor e Vida para todo mundo,

Bhuvi ♥︎

Você não é uma gota no oceano. Você é o oceano inteiro dentro de uma gota.

rumi

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Dive Deep | Mergulhe fundo

Dive deep
you are only
one step away.

Let go.
Do not listen to age-old voices
forging your ego,
overshadowing your essence.

Awake to silence.
Only the heart shall speak; and
when you are free inside
nothing will disturb
your peace.

Dive.
Surrender
to yourself.


Mergulhe fundo,
você está apenas
um passo distante.

Desapegue.
Não dê ouvidos a vozes antigas,
forjando seu ego,
ofuscando sua essência.

Acorde para o silêncio.
Somente o coração deve falar; e
quando você estive livre por dentro,
nada perturbará
sua paz.

Mergulhe.
Entregue-se
a você.


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