Criação segue destruição

“Para viver a evolução, é necessário permitir a dança da criação, a dança da destruição e a dança da libertação.”
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O sistema transforma pessoas em rodas dentadas para compor a máquina que troca vidas por dinheiro, estabelecendo padrões que oprimem a natureza dos indivíduos. Nesse girar das engrenagens, tanto opressor quanto vítima são desumanizados. No fim do dia, o que sobra é sentimento de derrota e perda de si.

Diante da derrota e incitados a competir, indivíduos se veem motivados a agir com violência contra o “Outro” que passou então a ser meramente um inimigo criado pela supremacia poderosa como forma de manter os sujeitos sob controle. Afinal, nas conexões amigáveis — em relações amorosas — há o risco do fortalecimento e recusa de submissão.

Romper ligações com outros seres humanos é, portanto, cair no jogo de poder estabelecido por aqueles que comandam o sistema, segurando a chave das máquinas que nos transformam em objetos destituídos de toda essência humana. Nesse jogo, uso de violência (física e psicológica), dominação do corpo alheio, desumanização são regras e os seres humanos são segregados — separados em grupos e rotulados por sexo, gênero, raça, religião, peso corporal, condição de saúde, ideias… —, divididos por uma supremacia da falsa perfeição ou poder absoluto daqueles que se julgam modelo. Assim nascem patriarcas, fascistas, pessoas egocêntricas, que utilizam do autoritarismo e da intolerância para controlar e subjugar pessoas desconsideradas.

Sabemos quem está ganhando esse jogo de poder: as pessoas são socializadas para não demonstrar afeto, para aceitar os papéis sociais, para julgar, discriminar; e mesmo oprimidas, seguem disseminando opressão. No entanto, “o poder absoluto de patriarcas não é libertador. A natureza do fascismo é tal que controla, limita e restringe os líderes, tanto quanto as pessoas que os fascistas oprimem.” (bell hooks, 1981)

Resistir é, portanto, aceitar o ser humano como um. Em cada indivíduo vivem todos os seres sencientes; somos uma comunhão de vidas. Negar a vida de um é negar a de todos, inclusive a própria vida. Em uma comunidade, quando você aponta e diz “os Outros”, é como se pronunciasse as palavras diante de um espelho. Sua resistência começa dentro de você, desapegando-se de conceitos e valores herdados. Isto é, destruir o velho, retrógrado e prejudicial, para construir o novo. Essa é a verdadeira salvação. Não há ressurreição sem morte; não há criação sem destruição.

Para viver a evolução, é necessário permitir a dança da criação, a dança da destruição e a dança da libertação. Estar consciente para de fato experimentar a vida e não apenas aceitar opressões, padrões, e disseminar preconceitos. É urgente saber se doar por completo à humanidade sem se concentrar na tarefa de alimentar o ego. Mas para isso, é primordial conhecer os problemas, tomar consciência e agir; agir diariamente, conectando discurso e ação.

Essas danças acontecem dentro de nós; estão acontecendo agora. Escute seu interior.

Conhecimento convencional é a morte de nossa alma, e não é realmente nosso.

rumi

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Like a River | Como um rio

Like a river
Life flows
From birth to death.

In the end
We all join the ocean.

To flow is
To remain fresh.
If you build a dam
no more springs will come.

Embanked water becomes stale
And accumulates poison.

Do not contaminate your heart!

Flow
Let go, and
Be fresh.

Nothing you hoard
should do you good.
Om Shanti


Como um rio
a vida flui
do nascimento à morte.

Ao final, todos nós
encontramos o oceano.

Fluir é constantemente renovar-se.
Se você construir uma barragem,
não haverá nascentes.

Água represada deteriora,
acumula veneno.

Não contamine seu coração!

Deixe fluir,
desapegue-se,
renove-se.

Nada do que você retém,
pode fazer bem.
Om Shanti
♥︎

In the end
We all join the ocean.

***

Ao final, todos nós
encontramos o oceano.


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