Um instante de luz

🇺🇸🇧🇷
Shrī-Yantra
Símbolo da Vida (universal e individual) como incessante interação de opostos cooperativos

O Absoluto contém em si eternidade, energia passiva, e o dinamismo do Tempo, energia ativa. Paraíso e Terra. Antagonistas, porém cooperativas, essas energias são esferas do ser, ambas integrantes da existência. Desdobrado em dualidade, Ele originou o Universo e as criaturas. O mundo, portanto, personifica as polaridades da vida na distinção de elementos, reminiscências individuais d’O Absoluto despedaçado.

Enquanto humanos masculinos personificam energia passiva, as raízes, humanos femininos são energia ativa, o útero. Mas em essência, são um. Ainda que sejamos desenvolvimento temporal e espacial, transcendemos tempo e espaço como manifestações de aspectos antagônicos da existência, O Absoluto.

Repousa no âmago de nosso ser, no receptáculo que é nosso corpo, a Suprema Essência, a partir da qual continuamente expandimos. Apesar de inefável e inconcebível no materialismo humano, energia Divina — unicidade — está em todos nós; Ela é experimentada como Vida dentro do ser e Vida do cosmos. Vida é Amor.

É através do anseio da Vida por si mesma que a Vida surge — o Nirvana são dois espelhos que se encaram. É somente ao alcançar a consciência — quando estamos acordados — que vivenciamos a Unicidade, o Todo em todos nós, compreendendo o processo duplo da criação (e dissolução), e entendendo a verdade: O Absoluto não deve ser partido, dissolvido, desintegrado.

Portanto, através de nosso corpo O Divino se expressa. E uma vez que acordamos do sono da divisão somos capazes de experimentar — compartilhar e receber — o Todo em sua totalidade. Somos tanto vida universal quanto vida individual, uma contínua interação de opostos cooperativos em processo de criação. Luz lampeja através de nós.

Aum Shanti
Que todos os seres existam em Paz, Amor e Vida
Bhuvi ♥︎

Através do anseio da Vida
por si mesma
Vida surge.
Criação é Amor,
um lampejo de Luz
que nos atravessa.

Bhuvi

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Vida: Quem se importa?

🇺🇸  🇧🇷
Botafogo, Rio de Janeiro
por Bhuvi

Vida é a energia divina que ocupa nosso corpo; é puro Amor e Natureza. Vida é a existência pacífica dos seres sencientes.

É isso? Ou deveria ser assim?

O que é vida, afinal? É o que recebemos ou é o que fazemos com o que recebemos? Quem é dono da vida?

Decidi sair para uma caminhada em meditação e sentir a vida. Depois de algum tempo me abri para o mundo ao meu redor, e isto é o que eu recebi:

“Pessoas não são descartáveis”, dizia o grafite no muro atrás do homem que dormia em cobertores imundos, em uma rua chamada Voluntários da Pátria, onde fileiras de prédios, em ambos os lados, esticavam-se até o céu: pedaços particulares do paraíso, hostis àquele cidadão e aos outros encolhidos na calçada, em frente a cada um dos bancos e a cada uma das igrejas.

“Who cares?” Ou, quem se importa? — era a estampa da camisa de um pedestre.

Mentalmente repeti a pergunta e alguns quarteirões depois recebi a resposta.

Um homem pedia dinheiro; mostrava três moedas na mão e falava que o café da manhã é a refeição mais importante, porque dá impulso para começar o dia. Ele sorriu com a boca vazia e os dois cachorros dele abanaram o rabo, enquanto eu lhe entregava algum dinheiro.

— Querem brincar!

— São bonitos os cachorros. Qual é o nome deles?

— Vida e Beethoven. A Vida fugiu de mim uma vez. Mas eu encontrei ela de volta, com ajuda dos vizinhos por aqui. Ela é durona. Mas se você não ficar bem atento a ela, ela pode simplesmente escapar de você. Ela é doida. Eu amo a Vida! Mas você não pode contar que é garantido que ela está ali. Toda manhã, assim que eu abro os olhos eu vejo se a Vida está comigo. Sabe? A gente precisa mesmo é saber o que realmente importa. Você precisa olhar na direção dela. Olhar dentro dos olhos dela. Olha! Sério! O que você vê? Cuida disso. O que você vê nos olhos da Vida é tesouro. E… Sabe? Quando eu pensei que tinha perdido ela, algumas pessoas me ajudaram, mas eu é que tenho que cuidar. Entende? Sou responsável pelo que acontece com a Vida; ela é minha responsabilidade desde o dia que eu recebi ela. Fé. Tenho fé… Na Vida. Mas aí tem gente que trata mal a Vida. Minha Vida, sabe? Eu posso até estar nessas condições aí, mas minha Vida não pertence a eles. Não. Eles podem ter dinheiro; eu tenho Amor. Eu tenho a Vida.

— Te entendo! — eu tinha lágrimas nos olhos.

— Agora olha como os dois são felizes juntos! Eu não acho que a Vida seria feliz sem Beethoven! Ele é quieto, relaxado, assim… Eu amo ele também. Bem… A Vida é especial. A Vida é um presente que me deram. E quando você recebe um presente, você toma conta dele. Se ele acabar sendo difícil, você simplesmente tem que fazer o seu melhor para conseguir. Porque… Sério! Quando você age, só o fato de você agir já é um sucesso. Ah! E obrigado pelo sorriso. Não tem muita gente que faz isso por aqui.

Enquanto Elson e eu apertamos as mãos, Vida e Beethoven pularam em mim e a pergunta, em minha mente: Quem se importa?

Elson e os vizinhos se importam; Vida e Beethoven, também.

Pessoas não são descartáveis; cada um de nós conta. Seja presidindo um país ou dormindo debaixo de marquises, não importa a cor, etnia, sexualidade ou sexo, o valor de uma pessoa está no próprio fato de essa pessoa existir. Todas as vidas importam. Todas as vidas são vivíveis, e todas as vidas são passíveis de luto.

Todos nós deveríamos nos importar.


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Criação segue destruição

“Para viver a evolução, é necessário permitir a dança da criação, a dança da destruição e a dança da libertação.”
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O sistema transforma pessoas em rodas dentadas para compor a máquina que troca vidas por dinheiro, estabelecendo padrões que oprimem a natureza dos indivíduos. Nesse girar das engrenagens, tanto opressor quanto vítima são desumanizados. No fim do dia, o que sobra é sentimento de derrota e perda de si.

Diante da derrota e incitados a competir, indivíduos se veem motivados a agir com violência contra o “Outro” que passou então a ser meramente um inimigo criado pela supremacia poderosa como forma de manter os sujeitos sob controle. Afinal, nas conexões amigáveis — em relações amorosas — há o risco do fortalecimento e recusa de submissão.

Romper ligações com outros seres humanos é, portanto, cair no jogo de poder estabelecido por aqueles que comandam o sistema, segurando a chave das máquinas que nos transformam em objetos destituídos de toda essência humana. Nesse jogo, uso de violência (física e psicológica), dominação do corpo alheio, desumanização são regras e os seres humanos são segregados — separados em grupos e rotulados por sexo, gênero, raça, religião, peso corporal, condição de saúde, ideias… —, divididos por uma supremacia da falsa perfeição ou poder absoluto daqueles que se julgam modelo. Assim nascem patriarcas, fascistas, pessoas egocêntricas, que utilizam do autoritarismo e da intolerância para controlar e subjugar pessoas desconsideradas.

Sabemos quem está ganhando esse jogo de poder: as pessoas são socializadas para não demonstrar afeto, para aceitar os papéis sociais, para julgar, discriminar; e mesmo oprimidas, seguem disseminando opressão. No entanto, “o poder absoluto de patriarcas não é libertador. A natureza do fascismo é tal que controla, limita e restringe os líderes, tanto quanto as pessoas que os fascistas oprimem.” (bell hooks, 1981)

Resistir é, portanto, aceitar o ser humano como um. Em cada indivíduo vivem todos os seres sencientes; somos uma comunhão de vidas. Negar a vida de um é negar a de todos, inclusive a própria vida. Em uma comunidade, quando você aponta e diz “os Outros”, é como se pronunciasse as palavras diante de um espelho. Sua resistência começa dentro de você, desapegando-se de conceitos e valores herdados. Isto é, destruir o velho, retrógrado e prejudicial, para construir o novo. Essa é a verdadeira salvação. Não há ressurreição sem morte; não há criação sem destruição.

Para viver a evolução, é necessário permitir a dança da criação, a dança da destruição e a dança da libertação. Estar consciente para de fato experimentar a vida e não apenas aceitar opressões, padrões, e disseminar preconceitos. É urgente saber se doar por completo à humanidade sem se concentrar na tarefa de alimentar o ego. Mas para isso, é primordial conhecer os problemas, tomar consciência e agir; agir diariamente, conectando discurso e ação.

Essas danças acontecem dentro de nós; estão acontecendo agora. Escute seu interior.

Conhecimento convencional é a morte de nossa alma, e não é realmente nosso.

rumi

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O espaço no meio

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Vivi a vida partido pelo medo que me ensinaram a ter. Sentia que era diferente, errado, um tolo. Aprendi que devemos temer os estranhos.

Isso foi o que me fizeram acreditar; esse foi o jogo no qual fui pego.

“Não sorria para estranhos.”
“Não fale com estranhos.”
“Não aceite balas de estranhos.”
“Não seja assim tão bobo!”

Até o dia em que me dei conta de que, tão preocupado com os outros, eu era estranho para mim mesmo.

Ensinam de tudo para nós, exceto como amar ou até mesmo o que significa Amor. Mostram-nos de tudo, exceto a verdade. Quando você é uma criança, ninguém conversa sobre como se tornar seu próprio amigo. E então, para ser verdadeiro você precisa ter coragem, porque mentir e se adaptar a padrões é a norma.

Não deixe de apreciar o valor da vida de ninguém; nunca deixe de apreciar sua própria vida. Seja compreensivo. A diferença não perturba a ordem, os padrões, sim. Eles perturbam o coração, a peculiaridade e a paz da alma.

Categorias perturbam o Amor, que é o que deve prevalecer.

Você recebe o nascimento.
Você recebe a morte.
O que está no meio disso, você deve construir.

Siga o caminho da Liberdade.

Escolha a ferramenta Amor; escolha o caminho Liberdade. Liberte-se da prisão que é o medo. O verdadeiro “eu” não é tolo, não é errado, mas sim, é a corda que mantém o ser inteiro. E a verdade está no coração.

Você pode rir, sorrir, conversar. Não é necessário temer. Não é necessário ter coragem. Você só precisa fluir com sua essência: o divino que habita em você.

Entre nascimento e morte, ame. Isso cria uma jornada extasiante da luz, através da luz, para a luz.

“Ame teu próximo”, não julgue, não categorize, não trate com pena, apenas ame. E jamais se esqueça de amar a pessoa que está mais próxima de você: você mesmo.

Seja o Amor que você espera receber.


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