With no Time to Love Himself | Sem tempo para amar a si mesmo


🇧🇷 🇺🇸
Poetry reading 🔈

With no time to love himself
He ended up
Losing himself.

He thought those objects—
Valuable metals in the market—
Were pieces to make up
Power he wanted,
Understanding it
Would bring to life
A perfect him.

Wrong and lost—
He mourned,
Shouting his pain
Disguised in words of command.

Weak and tired—
Little did he know:
Perfection dwelled in him
(as it does in you)
All along.

There came a Spring day.
He could no longer 
Dictate himself 
To be another self,
And traveled back home,
Where lives and Nature 
Are all One.

🇺🇸 🇧🇷
Leitura do poema 🔈

Sem tempo para amar a si mesmo
ele acabou
perdendo a si mesmo.

Pensou que aqueles objetos —
valiosos metais no mercado —
fossem peças para construir 
o poder que ele queria,
pensando que isso daria vida
à sua perfeição.

Equivocado e perdido —
lamentou, gritando sua dor
disfarçada em palavras de ordem.

Fraco e cansado —
mal sabia:
a perfeição tinha morada nele
(assim como em você)
eternamente.

Chegou um dia de primavera.
Ele já não podia ser seu próprio ditador
para se tornar um outro indivíduo,
e viajou de volta para casa,
onde vida e Natureza
são Um.

Poetry Reading | Leitura do poema

Peace, Love, and Life for all beings ૐ 
Bhuvi ♥︎

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Quem é você?

🇺🇸🇧🇷
Afrodite/Vênus agachada ou se banhando
Autor desconhecido
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

Você já se olhou no espelho hoje? Imagino que sim. Acordou, lavou o rosto e se viu no armário sobre a pia do banheiro. Talvez tenha conferido rugas ou percebido alguns fios brancos a mais. Avaliou a combinação de cores depois de se vestir, se a camisa para dentro é melhor do que para fora ou se a calça não está muito apertada? É possível que tenha escovado os cabelos e experimentado um penteado diferente, ou ainda, que tenha prendido as madeixas, porque não teve tempo de lavar, secar etc. e tal.

Quando se olhou, você se viu, conseguiu se enxergar? Observou-se? Observar é ultrapassar a camada virtual que criamos; é dissolver a fantasiosa identificação que tem por objetivo atender às expectativas criadas por seu ego ou pelo ego do outro, para o único propósito de… Encaixar-se, caber em um espaço social.

A maneira como você se identifica ao se observar é sua identidade. Nem você nem eu somos um número, seja na estatística, seja na secretaria de segurança pública ou no Detran. Cada um de nós é, na verdade, o que está dentro; somos o que está para além da imagem, para além dos registros.

“Tudo é dito por um observador”, escreveu o cientista chileno Humberto Maturana.

O ser humano é um sistema complexo vivo, o que significa que não é um mecanismo, um sistema com estrutura definitiva. Mais além, somos dinâmicos e, portanto, em nossas interações, estamos em constante mudança — comportamento e estrutura são mutáveis. Consequentemente, é impossível determinar uma conduta adequada, definitiva, para sistemas vivos, em todos os possíveis contextos, porque não podemos prever suas variações.

Dessa maneira, a interação entre seres vivos é um constante aprendizado, uma vez que, deve-se enxergar cada indivíduo em seu meio, em seu tempo e respeitando suas alterações estruturais. Eis o grande desafio daqueles que, apegados a normas, a crenças socialmente construídas, não se conectam com o que é a vida, esse acontecimento dinâmico.

Conectar-se com a vida não é discursar a favor de diversidade, mas sim agir de maneira totalmente desapegada, entendendo que há diversidade dentro da própria diversidade, e a identidade individual de seres não é exatamente aquela que você diz, mas sim aquela que é possível tocar e compreender, uma vez que você ultrapasse a superfície, mergulhando fundo no eu.

Mas se uma pessoa teme conhecer sua própria verdade, por certo não se entregará ao conhecimento da verdade do outro — o mergulho é um ato de coragem — e não será capaz de experimentar o Amor, negará histórias, e construções de existências que lhe cercam, determinando identidades a partir de pré-conceitos, estabelecendo seu próprio conforto e prazer dentro de estagnação e apatia.

Somos históricos: o continuum de nossos ancestrais. Mas somos a história agora — vidas individuais, reeditadas, revistas e ampliadas. Um observador somente poderá falar de um indivíduo se realmente observar, porque é necessário conectar-se e compreender a unicidade da existência, com todas suas peculiaridades.

Apesar de tudo isso ser importante, sobretudo, porque vivemos em comunidade, o essencial é ser seu próprio observador.

Observe-se atentamente e seja capaz de responder: quem é você? Então talvez você possa se conectar, verdadeiramente, com outros seres.

A vida não é competição nem julgamento.
Vida é experiência.

Bhuvi

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Who Are You?

🇧🇷🇺🇸
Aphrodite/Venus crouched or bathing
Unknown artist
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

Did you look at yourself in the mirror today? I suppose you did. Perhaps you woke up, washed your face and saw yourself in the mirrored medicine cabinet. Perhaps you checked out wrinkles or found out some brand new white hair. Have you analyzed the colors and how they match after you got dressed? Or maybe tried to figure out whether to tuck in your shirt? You might have combed your hair and tried to tie it up in a different way or just made a ponytail because you didn’t have time to wash, dry, etc., etc.

When you looked at yourself, did you see yourself? Could you actually see your self? Did you observe? To observe is to go further past the virtual layer we create; it is to dissolve the unreal identity which meets expectations ego creates—ours and the others’—for the sheer purpose of… Fitting in a specific social space.

The way you identify yourself while watching your self is your identity. We are not ID numbers nor are we statistics. In reality, each one of us is the inside; we are whatever is beyond the image, beyond records.

“Everything is said by an observer,” wrote Chilean scientist Humberto Maturana.

The human being is a living complex system, which means humans are not mechanisms or systems with fixed structures. Moreover, we are dynamic and, therefore, in our interactions we constantly change—behavior and structure are mutable. Consequently, it is impossible to determine an adequate, permanent conduct for living systems in every possible context, because we cannot predict variations.

And thus interactions between living beings are endless learning processes as we must see individuals in their own environment, in their own time, by respecting their structural changes. Which is a great challenge for those who, clung to norms—socially constructed beliefs—do not connect with what life is: dynamic happenings.

Connecting with life does not mean to speak for diversity, but rather to act detached, understanding there is diversity within diversity itself, and that individual identities are not exactly what you name. Identity is that which you can touch and understand, once you go past the surface, diving deep into the I.

However, if one fears one’s truth, one most certainly will not surrender oneself to learning the others’ truths—diving is an act of courage—and, therefore, will not experience Love. While lacking Love, one denies history and builds existences by settling identities from one’s own prejudice, establishing one’s own comfort and pleasure within stagnation and apathy.

We are historical: our ancestors’ continuum. But we are history now—individual, reedited, updated, and expanded lives. Only by really observing can an observer speak about individuals, for it takes connection and learning the oneness, and yet peculiarity, of existences.

Although this is all very important mainly because we live in community, most of all, one must be one’s own observer.

Watch yourself mindfully and you shall be able to answer the question: Who are you? Then you might be able to truly connect with other beings.

Life is no competition nor trial.
Life is experience.

Bhuvi

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Um instante de luz

🇺🇸🇧🇷
Shrī-Yantra
Símbolo da Vida (universal e individual) como incessante interação de opostos cooperativos

O Absoluto contém em si eternidade, energia passiva, e o dinamismo do Tempo, energia ativa. Paraíso e Terra. Antagonistas, porém cooperativas, essas energias são esferas do ser, ambas integrantes da existência. Desdobrado em dualidade, Ele originou o Universo e as criaturas. O mundo, portanto, personifica as polaridades da vida na distinção de elementos, reminiscências individuais d’O Absoluto despedaçado.

Enquanto humanos masculinos personificam energia passiva, as raízes, humanos femininos são energia ativa, o útero. Mas em essência, são um. Ainda que sejamos desenvolvimento temporal e espacial, transcendemos tempo e espaço como manifestações de aspectos antagônicos da existência, O Absoluto.

Repousa no âmago de nosso ser, no receptáculo que é nosso corpo, a Suprema Essência, a partir da qual continuamente expandimos. Apesar de inefável e inconcebível no materialismo humano, energia Divina — unicidade — está em todos nós; Ela é experimentada como Vida dentro do ser e Vida do cosmos. Vida é Amor.

É através do anseio da Vida por si mesma que a Vida surge — o Nirvana são dois espelhos que se encaram. É somente ao alcançar a consciência — quando estamos acordados — que vivenciamos a Unicidade, o Todo em todos nós, compreendendo o processo duplo da criação (e dissolução), e entendendo a verdade: O Absoluto não deve ser partido, dissolvido, desintegrado.

Portanto, através de nosso corpo O Divino se expressa. E uma vez que acordamos do sono da divisão somos capazes de experimentar — compartilhar e receber — o Todo em sua totalidade. Somos tanto vida universal quanto vida individual, uma contínua interação de opostos cooperativos em processo de criação. Luz lampeja através de nós.

Aum Shanti
Que todos os seres existam em Paz, Amor e Vida
Bhuvi ♥︎

Através do anseio da Vida
por si mesma
Vida surge.
Criação é Amor,
um lampejo de Luz
que nos atravessa.

Bhuvi

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A Flash of Light

🇧🇷🇺🇸
Shrī-Yantra
Symbol of Life (universal and individual) as incessant interaction of cooperating opposites

The Absolute contains in itself eternity, passive energy, and dynamism of Time, active energy. Heaven and Earth. Antagonists, yet cooperative, such energies are spheres of being, both within existence. Unfolded into duality It originated the Universe and creatures. The world, therefore, personifies life polarities into distinctions of elements, individual reminiscences of The Absolute broken to smithereens.

As male humans personify passive energy, the roots, female humans are activating energy, the womb. But in essence they are one. While we are temporal and spatial development, we transcend time and space as manifestations of antagonistic aspects of existence, The Absolute.

Resting in the core of our being, in the vessels which our bodies are, is the Highest Essence from which we continuously expand. Although ineffable and inconceivable in human materialism, Divine energy — wholeness — is in all of us; It is experienced as Life within the being and Life of the Cosmos. Life is Love.

From Life’s longing for itself Life comes through—Nirvana is two mirrors staring at each other. It is only by achieving consciousness—being awake—that we experience Oneness, the All in all of us, comprehending the twofold process of creation (and dissolution), and understanding the true: The Absolute is not to be split, dissolved, disintegrated.

Therefore, through our bodies The Divine expresses itself. And once we wake up from the sleep of partition we are able to experience—share and receive—All in its totality. We are both universal life and individual life, a continuous interaction of cooperative opposites in creation process. Light flashes through us.

Aum Shanti
May all beings exist in Peach, Love and Life
Bhuvi ♥︎

From Life’s longing
for itself
Life comes through.
Creation is Love,
Light flashing through us.

Bhuvi

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Vida: Quem se importa?

🇺🇸  🇧🇷
Botafogo, Rio de Janeiro
por Bhuvi

Vida é a energia divina que ocupa nosso corpo; é puro Amor e Natureza. Vida é a existência pacífica dos seres sencientes.

É isso? Ou deveria ser assim?

O que é vida, afinal? É o que recebemos ou é o que fazemos com o que recebemos? Quem é dono da vida?

Decidi sair para uma caminhada em meditação e sentir a vida. Depois de algum tempo me abri para o mundo ao meu redor, e isto é o que eu recebi:

“Pessoas não são descartáveis”, dizia o grafite no muro atrás do homem que dormia em cobertores imundos, em uma rua chamada Voluntários da Pátria, onde fileiras de prédios, em ambos os lados, esticavam-se até o céu: pedaços particulares do paraíso, hostis àquele cidadão e aos outros encolhidos na calçada, em frente a cada um dos bancos e a cada uma das igrejas.

“Who cares?” Ou, quem se importa? — era a estampa da camisa de um pedestre.

Mentalmente repeti a pergunta e alguns quarteirões depois recebi a resposta.

Um homem pedia dinheiro; mostrava três moedas na mão e falava que o café da manhã é a refeição mais importante, porque dá impulso para começar o dia. Ele sorriu com a boca vazia e os dois cachorros dele abanaram o rabo, enquanto eu lhe entregava algum dinheiro.

— Querem brincar!

— São bonitos os cachorros. Qual é o nome deles?

— Vida e Beethoven. A Vida fugiu de mim uma vez. Mas eu encontrei ela de volta, com ajuda dos vizinhos por aqui. Ela é durona. Mas se você não ficar bem atento a ela, ela pode simplesmente escapar de você. Ela é doida. Eu amo a Vida! Mas você não pode contar que é garantido que ela está ali. Toda manhã, assim que eu abro os olhos eu vejo se a Vida está comigo. Sabe? A gente precisa mesmo é saber o que realmente importa. Você precisa olhar na direção dela. Olhar dentro dos olhos dela. Olha! Sério! O que você vê? Cuida disso. O que você vê nos olhos da Vida é tesouro. E… Sabe? Quando eu pensei que tinha perdido ela, algumas pessoas me ajudaram, mas eu é que tenho que cuidar. Entende? Sou responsável pelo que acontece com a Vida; ela é minha responsabilidade desde o dia que eu recebi ela. Fé. Tenho fé… Na Vida. Mas aí tem gente que trata mal a Vida. Minha Vida, sabe? Eu posso até estar nessas condições aí, mas minha Vida não pertence a eles. Não. Eles podem ter dinheiro; eu tenho Amor. Eu tenho a Vida.

— Te entendo! — eu tinha lágrimas nos olhos.

— Agora olha como os dois são felizes juntos! Eu não acho que a Vida seria feliz sem Beethoven! Ele é quieto, relaxado, assim… Eu amo ele também. Bem… A Vida é especial. A Vida é um presente que me deram. E quando você recebe um presente, você toma conta dele. Se ele acabar sendo difícil, você simplesmente tem que fazer o seu melhor para conseguir. Porque… Sério! Quando você age, só o fato de você agir já é um sucesso. Ah! E obrigado pelo sorriso. Não tem muita gente que faz isso por aqui.

Enquanto Elson e eu apertamos as mãos, Vida e Beethoven pularam em mim e a pergunta, em minha mente: Quem se importa?

Elson e os vizinhos se importam; Vida e Beethoven, também.

Pessoas não são descartáveis; cada um de nós conta. Seja presidindo um país ou dormindo debaixo de marquises, não importa a cor, etnia, sexualidade ou sexo, o valor de uma pessoa está no próprio fato de essa pessoa existir. Todas as vidas importam. Todas as vidas são vivíveis, e todas as vidas são passíveis de luto.

Todos nós deveríamos nos importar.


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Life: Who Cares?

🇧🇷 🇺🇸
Botafogo, Rio de Janeiro
by Bhuvi

Life is the divine energy populating bodies; it is pure Love and Nature. Life is the peaceful existence of sentient beings.

Is it? Or should it be?

What is Life, after all? Is it what we get or is it what we do of what we get? Who owns life?

I have decided to go out for walking meditation and feel life. After a while I opened myself to the world surrounding me, and this is what I received:

“People are not disposable,” read a graffiti on the wall behind a man sleeping in filthy blankets, on a street named “Homeland Volunteers,” where lines of buildings on both sides stretched up to the sky like private pieces of heaven, hostile to that citizen and others curled up on the sidewalk, in front of every single bank and church.

“Who cares?”—was printed on a passerby’s t-shirt.

I mentally repeated the question and some blocks later was given an answer.

A man begged for money, showing three coins in his hand and talking about how breakfast is the most important meal because it kickstarts the day. He smiled with his empty mouth, and his two dogs wagged their tales while I handed him some money.

“They want to play!”

“Beautiful dogs. What are their names?”

“Life and Beethoven. Life ran away from me once. But I found her back, with the help of neighbors around here. She’s tough. But if you don’t watch her carefully, she might just slip away. She’s crazy. I love Life! But you cannot take her for granted. Every morning, as soon as my eyes are open I check and make sure Life is with me. You know, it’s all about knowing what really matters. You have got to look in her direction. Look into her eyes. I mean, look! Really! What do you see? Take care of that. What you see in the eyes of Life is treasure. And… You know? When I thought I have lost her, some people helped but it’s really on me. You get it? I’m accountable for whatever happens to Life; she’s my responsibility since the day I got her. Faith. I have faith… In Life. But then there are people who treat Life bad. My Life, you see? I might be in this condition but my Life does not belong to them. No it doesn’t. They might have money; I have Love. I have Life.”

“I hear ya!”—I had tears in my eyes.

“Now, check out both happy together! I don’t think Life would be happy without Beethoven! He’s quiet, relaxed, I mean, I love him too. Well, you know, Life is special. I was given Life as a gift. And when you are given a gift you take care of it. If it turns out to be hard, just do your best and you will succeed. Because… Seriously! When you take action, just the very fact of taking action is success. And, by the way, thanks for the smile. Not many people do that.”

As Elson and I shook hands Life and Beethoven jumped on me, and that question popped into my mind again: Who cares?

Elson and the neighbors do, Life and Beethoven, too.

People are not disposable; each one of us count. Whether presiding a country or sleeping under marquees, whatever color, ethnicity, sexuality or sex, one’s value is in the very fact that one exists. Every life matters. All lives are livable; all lives are grievable.

We should all care.


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O que desaprendi em quinze dias de silêncio

🇺🇸    🇧🇷 

Depois de uma década frequentando retiros espirituais e de meditação, eles já não são exatamente uma novidade para mim — a não ser que tenhamos em mente o fato de que nenhum retiro é igual. No entanto, eu me senti uma novata no último retiro de silêncio com meu Mestre. Foi a primeira vez que passei quinze dias imersa, de corpo e alma, na experiência de permanecer em silêncio. Em outras palavras: foi minha primeira vez totalmente dedicada a me ouvir, interpretar e me compreender. Foi a primeira vez que explorei uma caverna: meu coração. Meu desaprendizado de certas coisas foi a chave que faltava para abrir o cadeado que protegia o acesso ao meu inconsciente, para derrubar paredes e encontrar o fundo falso que escondia importantes verdades.

Talvez você, assim como eu mesma já fiz, pense: “Já fiz isso! Já passei alguns dias em silêncio.” Ou mesmo: “Passo o dia basicamente sozinha e, portanto, permaneço em silêncio.” Tudo bem. Mas você já ficou realmente em silêncio?

O primeiro dia em um retiro onde você já esteve e com pessoas que você já encontrou antes é, principalmente, para colocar a conversa em dia. Entre abraços, risadas e compartilhar, nós todos reconhecemos uns nos outros o amigo ou amiga que não víamos há quase seis meses. Alguns chegaram com notícias surpreendentes, outros ficaram mais… “Ah! Tudo na mesma.” Enquanto essas horas passavam, fomos preparados para mergulhar no silêncio.

Quando as montanhas ainda bloqueavam os raios do sol, já estávamos de pé e bem despertos no templo, meditando. Dinamicamente. Seguindo orientações deixadas por Osho e o conselho de nosso Mestre vivo, o grupo de mais de cem Sannyasins — esta que vos escreve incluída — começou a respirar caoticamente. Sem ritmo, sem expectativas, sem regras, apenas sentindo o ar entrando e saindo do nariz, queimando as narinas e limpando o caminho de e para os pulmões, sentindo o calor e o frio de um tanto de energia boa. Quando a música mudou não pudemos nos segurar, começamos a gritar. Com toda força, berramos, gritamos palavras, nos movimentamos do jeito que o corpo nos fazia mexer durante dez minutos catárticos, deixando tudo sair. Então a música mudou novamente para nos fazer pular sobre os pés planos, braços para cima, deixando sair o mantra “Hoo”, até que uma voz nos avisou: “Pare!” E como crianças brincando, congelamos. Na posição em que estávamos, apenas paramos e permanecemos daquele jeito, assistindo, observando, sentindo as ondas que atravessavam o corpo físico e o sutil. Desapegando da mente, que gosta de nos dizer que estamos cansados e não conseguiremos permanecer em uma posição por muito tempo. Mas a gente consegue! A gente consegue fazer isso. Porque estamos no comando e nada é mais importante do que sentir e seguir o coração, apenas testemunhando o poder e a energia do momento. Até que outra música começou e simplesmente deixamos o corpo solto fluir no ritmo, como um pássaro cortando o céu, asas abertas, sem bater, sem preocupação, apenas sendo.

Seguida de silenciosa meditação do trabalho — para alguns significava rastelar o jardim, para outros cortar legumes e havia aqueles que limpavam o restaurante e/ou a cozinha, apenas para citar algumas atividades —, Meditação Kundalini, Meditação da Respiração nos Chakras e grupos para exploração da pergunta de ouro feita por Bhagavan Sri Râmana Mahârshi, “Quem sou eu?”, a Meditação Dinâmica de Osho compôs o cronograma bem organizado que nos permitiu mergulhar fundo e voar alto, silenciosamente, em busca da verdade. Mas nada disso funcionaria tão bem sem o evento mais importante da programação: Satsangs. Sentar em silêncio, coração aberto, ouvindo nosso Guru é essencial para o crescimento espiritual, ou despertar.

Penso que é incrível a maneira como podemos aprender com as diversas leituras disponíveis a qualquer momento, em qualquer lugar. Não há limite para a aquisição de conhecimento. No entanto, estar próximo de um Mestre vivo torna a jornada um prazeroso passeio pelo campo, sem qualquer dúvida. Você apenas segue os passos, observando o que está ao redor. De repente se dá conta de que, quando nada há para dizer, não há necessidade de falar. E na maioria das vezes, nada há para dizer. Vida e Amor permeiam completamente um relacionamento como esse, que nos chacoalha, acorda e move. Alimenta algo que gosto de pensar serem asas; mas isso também nos proporciona raízes — voamos alto e mergulhamos fundo.

Em quinze dias desaprendi tudo o que a sociedade me forçou a aceitar. Foi como deixar o dedo na tecla deletar, por dias, e depois olhar no espelho para descobrir que sou uma página em branco, a ser escrita agora. Há apenas um momento em que posso escrever nessa página: Agora. Há apenas um momento em que posso ler essa página: Agora. Eu sou agora.

Desaprendi qual é o rosto do meu ego. Eu virei do avesso. Quebrei e abri a casca; toquei a parte mais interna do meu ser. Parece que não há volta, a menos que eu volte a dormir. Porque dessa vez, eu realmente permaneci em silêncio. Não foi apenas calar a boca, mas sim, o foco estava em silenciar minha mente ou as vozes que não pertencem ao meu coração; foi fazer calar o ego.

Desaprendi toda a competição que fazem a vida se tornar e que nos acorrenta a mentiras que acabamos por viver pelo bem de uma imagem que nos esforçamos para fazer caber na tela de um mundo ficcionalizado que nós todos, juntos, criamos.

Desaprendi a forma do singular e me dei conta de que pensar em termos de “o outro” é segregar. Já passou da hora de abrir mão dessa linguagem divisora e compreender que tudo se trata de “nós”, não de “eu + ela/ele”. Mas primeiro, é necessário que se trate da personalidade, do self, não do ego — muito menos da selfie. Primeiro e acima de tudo, povoar-se de si mesmo. Desapegar-se do ego. Fazer contato com quem você é e Amar quem você é. Somente então será possível “amar ao próximo como a si mesmo”.

Desaprendi uma das mais cruéis lições que me ensinaram: como matar meu primeiro amor, o Amor que eu deveria ter alimentado desde o primeiro dia em sociedade, que é o Amor por minha natureza. Porque não há música mais bonita do que o silêncio da natureza, da minha inocência, do meu “bem-infantil”. E é nesse espaço que criei — sagrado e seguro — que posso alimentar o Amor pela humanidade e compaixão e construir compreensão. Esse é o real sentido de comunalismo. Isso é o verdadeiro Amor. E ele começa de dentro, então transborda, toca e conecta vidas. Somos todos e todas seres compartilhando existência.

Apesar de estar em silêncio, desaprendi a ficar calada e com medo. Minha voz é a que vem do espaço silencioso do meu coração; é minha verdade, meu ser. Ela não sai apenas em palavras. Caso contrário, seria apenas bobagem. Minha voz é minha ação, totalmente em harmonia com meus pensamentos. E desaprendi a fé, junto com o significado de Deus, como eles nos ensinam. Porque somos todos, e cada um, “o oceano inteiro dentro de uma gota”. O que quer que eu faça comigo mesma, faço com o Universo, e vice-versa. Sou quem quer que eu for no momento; mas também sou as vidas que me rodeiam, homem e mulher, sublime e grotesco, bem e mal. Desaprendi o meu lugar dentro de uma caixa.

Há um Deus em mim, em você, em todos nós, que é nossa natureza divina. Somos todos responsáveis pelas vidas que todos, juntos, temos vivido. E quanto mais disseminarmos o assassínio do primeiro amor, mais tornaremos a humanidade miserável. É incumbência de cada um de nós mudar; ou ainda, parar esse jogo de sofrimento e aceitar a liberdade. Nascemos livres. Quanto mais damos ouvidos aos sons de fora, mais deixamos de notar o que acontece dentro. É quando estamos realmente em silêncio que nos conectamos, com compaixão, Amor, respeito e cuidado.

Paz, Amor e Vida para todo mundo,

Bhuvi ♥︎

Você não é uma gota no oceano. Você é o oceano inteiro dentro de uma gota.

rumi

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What I Unlearned Being Silent for Fifteen Days

🇧🇷     🇺🇸

After a decade going to spiritual and meditation retreats, they are not exactly a novelty to me—unless you bear in mind that no retreat is the same. However, I felt like a newbie at the last silent retreat with my Master. It was the first time I spent fifteen days wholeheartedly immersed in the experience of being in silence. In other words: It was my first time totally dedicated to listening, reading, figuring out myself. It was my first time exploring a cave: my heart. My unlearning of certain things was the missing key to open the padlock protecting access to my unconscious, to tearing down walls and finding the false bottom hiding important truths.

Perhaps you, as I myself did before, might think: “I’ve done it! Spent a couple of days in silence.” Or even: “I spend the day basically by myself and thus remain in silence”. Okay. But have you ever really been silent?

The first day at a retreat where you have already been and with people you have met before is mostly touching base. Between hugs, laughs, and sharing we all recognized on each other the friend we haven’t seen for almost six months. Some came with startling news, others were like “Ah! Same old same old.” While those hours passed we got prepared to dive into silence.

When the mountains still blocked the sunbeams we were all rise and shine in the temple, meditating. Dynamically. Following guidelines Osho left and our Living-Master’s advice, the group of over one-hundred Sannyasins—yours truly included—started breathing chaotically. No rhythm, no expectations, no rules, just feeling the air coming in and out our noses, burning our nostrils and cleaning all the way to and fro the lungs, feeling the heat and the cold of some good energy. When the music changed we could not help ourselves but scream. From the top of our lungs we screamed, we shouted words, we moved however the body made us in cathartic ten minutes of sending it all out. Then the music changed again to make us jump on both flat feet, arms up, letting out the mantra “Hoo,” until a strong voice warned: “Stop!” And just like kids playing we froze. In whatever position we found ourselves, we just stopped and remained there, watching, observing, feeling the waves going through our physical and subtle bodies. Letting go of the mind, which appreciates telling us we are tired and cannot remain in a position for so long. But we can! We can do it. Because we are in charge, and nothing is more important than feeling and following our hearts, just witnessing the power and energy of the moment. Until another music played and we just let our bodies loose, flowing in the rhythm like a bird cutting into the air, wings spread wide, no flapping, no worries, just being.

Followed by silent work meditation—for some it meant to rake the garden, for others to chop vegetables, and there are the ones cleaning up the restaurant and/or kitchen, just to mention some activities—, Kundalini Meditation, Chakra Breathing Meditation, and group gatherings to explore Bhagavan Sri Râmana Mahârshi’s golden question “Who am I?”, Osho’s Dynamic Meditation composed this well organized schedule which allowed us dive deep and fly high, silently searching for the truth. But none of those would work as well as they did without the most important event in the schedule: Satsangs. Sitting in silence, heart open, listening to our Guru is a must to spiritual growth, or awakening.

I find it amazing how we can learn from several readings available at any time, anywhere. There is no limit to gaining knowledge. However, being around a living Master makes the journey a pleasant walk in the meadow, no ifs, ands or buts about it. You just follow the steps, taking notice of the surroundings. And suddenly you realize that when there is nothing to say there is no need to speak. And most of the time, there is nothing to say. Life and Love completely permeate such relationship, which shake, awake, and move us. It nurtures something I like to think of as wings; but it also give us roots—we fly high and dive deep.

In fifteen days I unlearned everything society forced me into. It was like laying my finger on the delete key for days, and then looking into a mirror to find out I’m a blank page, to be written on now. There is only one moment I can write on that page: Now. There is only one moment I can read that page: Now. I am now.

I unlearned the face of my ego. I turned inside out. I cracked open the shell and touched the innermost part of my being. It seems like there is no way back, unless I get back to sleep. Because this time, I have really remained silent. It was not just about shutting up my mouth, but rather, focus was on silencing my mind or the voices not belonging to my heart; it was about “shushing” the ego.

I unlearned all the competition they make this life about, which shackles us to lies we end up living for the sake of an image we try hard to fit into the screen of a fictionalized world we are all—together—creating.

I unlearned the singular form and realized that thinking in terms of “the other” is segregating. It is past time we drop this splitter language and understand it is all about “we,” not “I + she/he.” But first, let’s make it about the self, not the ego—much less so about the selfie. First and foremost, populate yourself by your self. Drop the ego. Touch base with who you are, and Love who you are. Only then it will be possible to “love thy neighbor as thyself.”

I unlearned one of the cruelest lessons they have taught me: How to kill my first love, the Love I should have nurtured since day one in society, which is the love for my nature. Because there is no music more beautiful than the silence of nature, of my innocence, of my “child-good”. And it is in this space I have created—sacred and safe—that I can nurture Love for humanity, and compassion, and build understanding. That is the real sense of communalism. That is true Love. And it starts within, then it floods, touches and connects lives. We are all beings sharing existence.

Although in silence, I unlearned to be quiet and afraid. My voice is that coming from the silent space of my heart; it is my truth, my being. It does not come out only in words. Otherwise, it would be just nonsense. My voice is my action, absolutely in harmony with my thoughts. And I unlearned faith along with the meaning of God as they teach us. Because we are all and each “the entire ocean in a drop.” Whatever I do to my self, I do to the Universe, and vice-versa. I am whoever I am at the moment; but I am also the lives surrounding me, man and woman, sublime and grotesque, good and evil. I unlearned which would be my place in a box.

There is a God in me, in you, in all of us, which is our divine nature. We are all accountable for the lives we all—together— have been living. And the more we perpetuate killing the first love, the more we hold humanity miserable. It is in the plates of each one of us to change; or rather, to quit the game of suffering and accept freedom. We are born free. The more we listen to sounds from outside the more we miss what happens within. It is in real silence that we connect, with compassion, Love, respect, and care.

Peace, Love and Life for all,

Bhuvi ♥︎

You are not a drop in the ocean. You are the entire ocean in a drop.

rumi

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Criação segue destruição

“Para viver a evolução, é necessário permitir a dança da criação, a dança da destruição e a dança da libertação.”
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O sistema transforma pessoas em rodas dentadas para compor a máquina que troca vidas por dinheiro, estabelecendo padrões que oprimem a natureza dos indivíduos. Nesse girar das engrenagens, tanto opressor quanto vítima são desumanizados. No fim do dia, o que sobra é sentimento de derrota e perda de si.

Diante da derrota e incitados a competir, indivíduos se veem motivados a agir com violência contra o “Outro” que passou então a ser meramente um inimigo criado pela supremacia poderosa como forma de manter os sujeitos sob controle. Afinal, nas conexões amigáveis — em relações amorosas — há o risco do fortalecimento e recusa de submissão.

Romper ligações com outros seres humanos é, portanto, cair no jogo de poder estabelecido por aqueles que comandam o sistema, segurando a chave das máquinas que nos transformam em objetos destituídos de toda essência humana. Nesse jogo, uso de violência (física e psicológica), dominação do corpo alheio, desumanização são regras e os seres humanos são segregados — separados em grupos e rotulados por sexo, gênero, raça, religião, peso corporal, condição de saúde, ideias… —, divididos por uma supremacia da falsa perfeição ou poder absoluto daqueles que se julgam modelo. Assim nascem patriarcas, fascistas, pessoas egocêntricas, que utilizam do autoritarismo e da intolerância para controlar e subjugar pessoas desconsideradas.

Sabemos quem está ganhando esse jogo de poder: as pessoas são socializadas para não demonstrar afeto, para aceitar os papéis sociais, para julgar, discriminar; e mesmo oprimidas, seguem disseminando opressão. No entanto, “o poder absoluto de patriarcas não é libertador. A natureza do fascismo é tal que controla, limita e restringe os líderes, tanto quanto as pessoas que os fascistas oprimem.” (bell hooks, 1981)

Resistir é, portanto, aceitar o ser humano como um. Em cada indivíduo vivem todos os seres sencientes; somos uma comunhão de vidas. Negar a vida de um é negar a de todos, inclusive a própria vida. Em uma comunidade, quando você aponta e diz “os Outros”, é como se pronunciasse as palavras diante de um espelho. Sua resistência começa dentro de você, desapegando-se de conceitos e valores herdados. Isto é, destruir o velho, retrógrado e prejudicial, para construir o novo. Essa é a verdadeira salvação. Não há ressurreição sem morte; não há criação sem destruição.

Para viver a evolução, é necessário permitir a dança da criação, a dança da destruição e a dança da libertação. Estar consciente para de fato experimentar a vida e não apenas aceitar opressões, padrões, e disseminar preconceitos. É urgente saber se doar por completo à humanidade sem se concentrar na tarefa de alimentar o ego. Mas para isso, é primordial conhecer os problemas, tomar consciência e agir; agir diariamente, conectando discurso e ação.

Essas danças acontecem dentro de nós; estão acontecendo agora. Escute seu interior.

Conhecimento convencional é a morte de nossa alma, e não é realmente nosso.

rumi

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